Mulheres mandonas: como ter jogo de cintura para coordenar

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Acredito que a grande maioria das mulheres empreendedoras já passou por aquele comentário super chato:

Como você é mandona!

E aí caímos no paradoxo: como ser lider e gestora de equipe sabendo ser assertiva e não parecer mandona? Pode parecer uma coisa de outro mundo, mas na hora de resolver conflitos de interesse e delegar tarefas, essa realidade pode ser mais comum do que esperamos.

De meninas a mulheres mandonas

Eu mesma já ouvi, diversas vezes, meus pais me chamando de mandona quando era criança. Na escola, quando tínhamos algum trabalho em equipe, eu era da turma da Luluzinha. Consequentemente, todas nós éramos mandonas.

Quando cheguei à faculdade, continuei ouvindo aquele mesmo comentário, até que em um determinado momento fui conversar com uma amiga próxima sobre a situação.

Essa amiga é uma menina mais brava e sme paciência do que eu. Olha que sou ariana e minha paciência não é das melhores. Ela levantou a seguinte questão:

Não acho que você seja mandona. Você é assertiva. O problema são as pessoas que não querem receber as suas tarefas e justificam isso na crença de que você é “mandona”.

Pensei bastante naquela conversa e vi que realmente se enquadrava bem. Afinal, quando eu me juntava com minhas colegas, a coisa fluía bem. Não nos chamávamos de mandona e simplesmente delegamos tarefas para melhorar o trabalho em equipe.

Se portando no trabalho como mulher mandona

A minha primeira experiência com vendas foi bem decepcionante. A empresa não tinha um departamento de Recursos Humanos e por isso, mesmo requisitos surreais da empresa para simples estagiários deveriam ser obedecidos.

Minha gestora era uma jovem de 27 anos, enquanto eu tinha 19. Lembro-me como ela era um excelente exemplo de assertividade quando se tratava de clientes. Ela tinha firmeza para entender se a negociação tinha futuro ou estava perdida.

Se tratando de causas pessoais, a coisa era mais complicada. Certa vez, tive sinusite às vésperas de um ecotreinamento. Voltei do hospital à meia noite com um afastamento médico que imediatamente enviei para ela. Dessa forma, eles não precisavam contar comigo no dia seguinte, certo?

Para minha surpresa, recebi uma resposta quase que imediatamente após enviar meu atestado.

Estranho você pegar sinusite logo antes do nosso ecotreinamento, né?

Aquela frase me chocou. Fiquei completamente desnorteada e pior, com uma sensação péssima. Me achei a hipocondríaca, mesmo com 39 graus de febre.

Para piorar, as coisas se agravavam. Meu processo de vendas era a todo momento contestado. Ou eu não estava buscando boas oportunidades ou eu não era incisiva o suficiente.

Chegou em um momento que minhas gestora me pediu para perder provas e trabalhos avaliativos da faculdade para comparecer a reuniões da empresa que atrasavam uma, duas horas.

Não preciso nem falar que eu saí correndo desse emprego e me traumatizei, não é mesmo? Porém aprendi algo valioso com essa experiência!

Existe uma diferença clara do líder que abusa de sua autoridade para mandar e delegar. Ele (ou ela) exige sempre que determinada tarefa seja feita à sua vontade, mesmo que o executor não tenha conhecimento ou esteja aprendendo.

Pesquisando mais sobre o assunto, descobri que, apesar de existirem, de fato, algumas mulheres que abusam de ser cargo para demandar atividades, há ainda uma certa diferança da forma como homens e mulheres são tratados.

Homens assertivos e muheres mandonas

A campanha #BanBossy visa colocar o fim no uso exagerado da palavra mandona para descrever meninas, uma vez que o mesmo tratamento não acontece com os meninos.

Desde a escola, existem casos e mais casos de meninos que assumem liderança e ao delegar tarefas, são chamados de assertivos. As meninas, mesmo quando tem a mesma postura, são chamadas de mandonas.

Onde está o limite

Não há um limite certo que diferencie a assertividade de autoritarismo. Também não é certo apontar o dedo para uma mulher e chamá-la de mandona, quando ela está simplesmente executando seu trabalho.

Paciência em primeiro lugar

As pessoas não aprendem coisas na mesma velocidade. É importante ser paciente com treinamentos e prazos. Faça seu colaborador perceber que ele precisa se adiantar. Pergunte!

Esse conhecimento será importante para sua reunião daqui 10 dias. Para quando podemos voltar a conversar para esclarecer suas dúvidas e construir um processo excelente?

Esqueça seu perfeccionismo

Pessoas erram. E os erros são fundamentais para o desenvolvimento. O bom lider valoriza o erro e mostra como ele pode ser uma tremenda oportunidade para aprendizado.

Não tenha expectativa quando ao que seus colaboradores podem fazer Ajude-os a sempre melhorar, mas nunca ser perfeitos. Dessa maneira, seu time é de humanos e não de máquinas.

E ninguém vai te chamar de autoritário quando você entende e trabalha os desafios!

Busque o bom senso

O bom lider vai ouvir a opinião de todos, deixá-los debater e somente então vai bater o martelo para a decisão mais correta para o bem da empresa. Além disso, é importante educar para a forma como chegou àquela decisão.

Essa é a maneira mais fácil de não somente trabalhar a liberdade de opiniões e autonomia de decisões, como também se mostrar aberta para receber todos os pontos de vista!

Busque feedbacks sinceros e transparentes

Inclusive sobre você! O seu trabalho é servir sua equipe. Isso precisa ser trabalhado frequentemente, para que todos entendam que você é aliada!

Faça seu time entender que vocês buscam juntos o sucesso no trabalho e que é essa parceria que constroi relações fortes e duradouras.

Saiba reconhecer seus erros

Isso também faz parte de demonstrar humildade e lutar pelo bem do todo acima do interesse pessoal. Não só as empresas valorizam isso, como também seus colaboradores.

Faz parte do trabalho por uma causa.

Abra mão do controle

Seus colaboradores precisam ter autonomia para resolver problemas e propor soluções. Faz parte da cultura da empresa e trabalha fortemente a autonomia e liderança do seu próprio time.

Não tenha medo de que eles vão passar “por cima” de você. Lembre-se de manter a postura firme para tomar decisões, sendo assertiva, mas não sendo autoritária.

Vamos trabalhar juntas para criar um ambiente que a assertividade feminina não signifique mulheres mandonas.

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Sobre a autora

Bela Guarino

Gerente de Inside Sales na Rock Content, formada em Relações Internacionais, mas já foi ninja, marketeira e até mesmo cosplayer. Teve seu 1º blog aos 12 anos e hoje gosta mesmo de Reiki e viajar por aí.

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