Desafios da mulher empreendedora: barreiras reais e mentais

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Já falamos antes que, apesar dos desafios da mulher empreendedora, a sua presença cresceu em 32% no último ano. Isso se deve à busca da realização de um sonho ou mesmo uma maneira de fugir da crise.

Algumas aceleradoras e startup já estão lançando programas exclusivos para as mulheres em um ambiente de risco, mas que ainda assim querem fazer a diferença. Com investimento direto, mentoria, ou até mesmo alguns descontos em serviços específicos, fica mais fácil por em prática uma boa ideia de negócio.

Alguns casos de reais desafios da mulher empreendedora

Mesmo com a acrescente abertura à presença feminina no mercado, ainda vemos barreiras que dificultam o estabelecimento de mais empresas lideradas por mulheres. Me lembro muito bem, quando fazia Faculdade de Relações Internacionais, que uma de minhas professoras – extremamente inteligente e capacitada – sofria frequentemente em negociações internacionais.

Ela tem uma empresa de consultoria em marketing internacional e fez mestrado no Japão. Ainda na terra das cerejeiras, um de seus mentores a instruiu a não utilizar esmalte ou batom vermelho, pois aquilo podia remeter a uma imagem que ela não queria passar em reuniões empresariais.

Um outro episódio relatado foi na Arábia Saudita, quando um prospect a interrompeu e alegou que não negociava com mulheres. A sorte é que ela estava acompanhada por um colega de trabalho, que teve que falar em nome da empresa originariamente feminina.

Fora esses casos mais “sutis”, ainda vivenciamos inúmeras situações de assédio à mulheres na própria empresa ou com clientes.

Esses casos são realmente fortes e marcam a experiência feminina em um ambiente até então extremamente masculino. Mas não podemos deixar isso desanimar a vontade de empreender.

Os desafios na vida real

Juntamente com meu marido e meu pai, já tive minha própria marca de camisetas. Me lembro quando tinha que levar matriz de serigrafia na fábrica e me deparava com alguns (muitos) comentários desagradáveis dos colaboradores do galpão. Cheguei a ouvir o seguinte comentário:

“Aqui não é lugar de menina, não! Não tem frescura aqui. Você tinha era que escolher o pano e desenhar a estampa. Linha de produção é coisa de homem.”

Pensando que naquele mesmo dia eu havia carregado (sozinha) 15 quilos de tecido e 40 matrizes de alumínio super frágeis de um município para o outro dentro de um Ford Ka, esse comentário me deixou decepcionada.

Na primeira vez, me bateu aquela ideia de desistir de empreender sozinha. Meu pai e meu marido, apesar de sócios, tinham seus próprios desafios e eu ficava bem mais à frente da empresa.

Ainda assim, insisti na ideia e fui buscar toda a produção para levar para a costureira e finalmente, pegar as peças finais. Não vou mentir que minha primeira experiência foi agradável, já que, além daquele comentário infeliz de um funcionário da estamparia, ainda experimentei olhares de tudo quanto é tipo (menos motivadores!).

Quando a própria sociedade faz do empreendedorismo feminino um motivo de alarde

É importante criarmos um ambiente de apoio entre as mulheres, para que elas aprendam mais, estudem, mas acima de tudo, se ajudem. Porém segmentar o empreendedorismo feminino como se ele fosse algo anormal pode ser a fonte de mais problemas.

É importante criarmos um ambiente de apoio entre as mulheres, para que elas aprendam mais, estudem, mas acima de tudo, se ajudem. Porém segmentar o empreendedorismo feminino como se ele fosse algo anormal pode ser a fonte de mais problemas.

As iniciativas de apoio focado em mulheres são importantes para ajudar a maior aceitação e presença no mercado. Existem ainda muitos casos que as empreendedoras não conseguem boas negociações, só porque “são mulheres”.

Encontrar fornecedores que pratiquem o mesmo atendimento para empreendedores e empreendedoras também é um desafio, afinal sabemos que o mercado ainda é fechado.

A ideia para vencer essa barreira nunca é ressaltar o quão difícil é para conseguir um espaço para o empreendedorismo feminino, mas sim, destacar as conquistas e como as mulheres podem se ajudar, aprendendo umas com as outras.

Precisamos eliminar as barreiras que nós mesmas criamos para difundir nossos ideais. Não é fácil, pois muitas vezes esse bloqueios são inconscientes.

Eu mesma fiquei muito desmotivada com uma experiência ruim que tive, sendo que, posteriormente, ao trocar de fornecedor, me deparei com a dona do negócio super feminina e profissional!

Os estabelecimentos que segmentam seu público

Algumas mulheres, com pensamentos muito radicais em termos de feminismo, buscam a todo modo diminuir iniciativas vindas de homens.

Isso aconteceu com barbearias que não quiseram atender mulheres. Por tolerância, abriram uma exceção à regra, oferecendo corte masculino se a menina quisesse (em alguns casos).

Mas e o contrário? Um homem entrando em um salão de beleza totalmente feminino, ou em uma academia voltada para mulheres? Muitas delas vão ficar desconfortáveis, certo?

Não porque o homem é um potencial agressor (opinião pessoal aqui, mas isso é uma das maiores maluquices que já li!), mas porque as mulheres se sentem mais a vontade perto de outras mulheres. Seja para depilar, conversar, trocar de roupa, malhar, enfim! A lista é grande!

Os homens também podem e devem se sentir a vontade enter eles, certo? O livre mercado é maravilhoso por sua diversidade e isso precisa ser respeitado.

É um tiro no pé defender a liberdade de empreendimento feminino (inclusive ideais voltados exclusivamente para mulheres, como academias e salões), mas rechaçar as iniciativas vindas de homens para homens. Isso não é lutar pelo espaço da mulher, mas sim, criar mais e mais preconceito!

E você, já passou por alguma situação semelhante? Conta para a gente e vamos juntas criar uma comunidade de apoio entre as mulheres! Não se esqueça de assinar nossa newsletter e ficar por dentro das novidades do blog Vou de Salto.

Sobre a autora

Bela Guarino

Gerente de Inside Sales e Parcerias na Rock Content, formada em Relações Internacionais, mas já foi ninja, marketeira e até mesmo cosplayer. Teve seu 1º blog aos 12 anos e hoje gosta mesmo de Reiki e viajar por aí. Fã de carteirinha de Senhor dos Anéis e CardCaptor Sakura.

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