Assédio no trabalho: Até onde as piadas de mau gosto são aceitáveis?

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Em conversa com algumas amigas, notei que, infelizmente, ainda há muito assédio no trabalho, seja por parte dos colegas ou gestores. O assédio pode acontecer de maneira leve, moderada ou grave, mas qualquer um dos casos requer atenção por parte da mulher.

A forma mais “comum” disso acontecer é através de piadas ou brincadeiras que, de certa forma, provocam o desconforto da mulher. O problema maior é quando a dúvida é tão grande que isso começa a afetar diariamente a performance por medo ou receio.

Oportunidades: mascaradas ou reais?

Em casos de assédio no trabalho, qualquer proposta ou elogio levantam uma pulga atrás da orelha. As mulheres começam a se perguntar se aquela oportunidade é real ou se é uma forma de aproximação do assediador.

Como agir? Como saber se é saudável aceitar a proposta? Qual é o grau de abertura que a mulher pode ter com seu colega ou chefe que aparentemente está cruzando a linha do limite de bom senso?

52% das mulheres contratadas (Organização Internacional do Trabalho – OIT) já sofreram algum tipo de assédio, mas por medo de sofrer retaliação por parte do empregador ou chantagem de colegas, não denunciaram o ocorrido. Por isso, continuam enfrentando esse tipo de situação até que, por fim, pedem demissão.

Na pior das hipóteses, a chantagem ou o assédio pode vir acompanhado de ameaça de demissão ou condicional para promoção!

Mas como reagir ao assédio no trabalho?

É mais seguro previnir que uma simples cantada se torne um assédio recorrente do que fingir de boba, não é mesmo?

Só que ainda temos mulheres que, por insegurança ou medo, preferem desviar do assunto do que enfrentá-lo diretamente, abrindo margem para a continuação do assédio.

Isso é um problema para a própria segurança e para outras colegas de trabalho, pois normalmente o assediador terá o mesmo comportamento com outras mulheres. Fique atenta aos passos:

Seja clara, fale “não” diretamente

Não dê margem para dúvidas. Se você começa a perceber uma atitude duvidosa, seja com cantadas banais ou até mesmo um comportamento diferente do normal, imponha-se.

Agradeça os elogios, mas pontue que não gostaria de ser reconhecida por seus traços, mas por seu trabalho. Reforce diariamente, que você separa muito bem o ambiente profissional do pessoal e não quer que seu colega ou gestor misture as coisas.

Às vezes, o assédio pode partir de clientes!

Não se deixe enganar, pois esse tipo de coisa pode acontecer, inclusive, com seus clientes ou prospects!

Certa vez, em uma visita a um prospect da empresa que trabalhava, ele convidou minha colega de trabalho para jantar. Fomos treinadas a responder da seguinte forma:

Sinto muito, mas você está confundindo as coisas. Estou aqui estritamente a trabalho, e eu não te dei a liberdade para partir para o lado pessoal. Portanto, retiro a minha proposta e considere nossa parceria como nula.

Quando você está sozinha, você pode ficar insegura de se impor dessa maneira. Portanto, retire-se do local o quanto antes. Nesses momentos, agradecer o convite pode evitar a agressão por parte do assediador.

É uma situação ultrajante, mas baixar a cabeça pode ser uma atitude segura, fazendo necessário reportar em B.O. o ocorrido!

Na falta de testemunhas, não se exalte nas redes sociais, porque isso pode te colocar em uma situação muito delicada. Proteja-se, faça a denúncia, comunique-se com grupo de mulheres antes de tomar qualquer atitude que te coloque em uma posição delicada.

Quando o assediador é mais cara de pau

Se o assunto é mais sério, como um convite pessoal indesejado por parte de um chefe ou colega, diga não alto e claro. De preferência, procure o departamento de Recursos Humanos da sua empresa e apresente o B.O. Isso é ainda mais relevante se você tem uma testemunha para te apoiar.

Hoje em dia, por mais delicado que seja o assunto, as mulheres tem tido muito mais voz para se defender mesmo em casos de chantagem. Quando o assédio vem acompanhado de ameaça de demissão, é fundamental fazer um Boletim de Ocorrência.

Não se deixe enganar por isso. Por mais que você seja ameaçada de nunca mais conseguir um emprego, sua segurança vem em primeiro lugar. Comunidades femininas, como a Vou de Salto, podem te ajudar na sua recolocação no mercado e apoio profissional!

Afinal, a união faz a força, não é mesmo?

Na falta de um departamento de RH

Infelizmente várias empresas ainda não tem um departamento próprio de RH ou ouvidoria o qual recorrer. Nesses casos, você pode (e deve) procurar ajuda com o seu sindicado, apresentando os Boletins de Ocorrência com as testemunhas.

Se você tiver provas como emails, bilhetes ou outros conteúdos, anexe-os ao relato.

Ainda assim você pode registrar uma denúncia na Superintendência Regional do Trabalho. O assédio sexual é crime e sujuito a detenção de um a dois anos.

O importante é não se deixar calar por medo de demissão ou chantagem de qualquer tipo (inclusive promoção). A coisa piora quando se dá liberdade.

Casos delicados em que não há certeza de assédio

São a maioria dos casos! Já ouvi de várias amigas buscando uma promoção no trabalho e tendo que passar por algumas situações constrangedoras com seus colegas ou empregadoras.

Uma dessas amigas veio com a ideia de transparecer que seu empregador, 15 anos mais velho do que ela, seria um tutor tipo família. Assim ela diria “não” para os assédios, mas não perderia a oportunidade de crescimento.

“Fulano, obrigada demais pela ajuda, vou te eleger tipo um irmão mais velho para me ajudar a crescer profissionalmente aqui na empresa.”

Isso corta qualquer abertura “romântica” que o assediador pode ter. Outra boa prática é convidar o seu namorado, noivo, marido, irmão ou pai a te buscar na empresa (e quem sabe, fazer um tour e apresentar o tal problema!).

A presença de outro homem pode espantar futuras ações do assediador. Se ainda assim não funcionar e as cantadas continuarem, relembre que você já está em um compromisso sério e que a empresa não é lugar para isso.

Você já sofreu alguma situação constrangdora antes? Compartilhe com a gente e vamos criar uma comunidade de mulheres que se apoiam inclusive no reposicionamento de mercado!

Não se esqueça de trabalhar a cultura da sua empresa com muita recorrência para evitar situações como essa. A contratação também é fundamental para trazer candidatos com bastante ética de trabalho!

Sobre a autora

Bela Guarino

Gerente de Inside Sales na Rock Content, formada em Relações Internacionais, mas já foi ninja, marketeira e até mesmo cosplayer. Teve seu 1º blog aos 12 anos e hoje gosta mesmo de Reiki e viajar por aí.

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